Os especialistas e o público

José Carlos Alexandre

Resumo


A crise financeira internacional, iniciada em 2007 nos EUA, não foi prevista pela larga maioria dos especialistas. O Brexit e a vitória de Donald Trump apanharam de surpresa muitos líderes de opinião. Este tipo de acontecimentos levanta questões importantes, como a efetiva capacidade de previsão dos especialistas. Alguns autores veem o espectro do populismo a pairar sobre o Ocidente. Em contraposição, o elitismo, uma espécie de populismo virado do avesso, parece ganhar um novo fôlego. Seja como for, vivemos numa época em que não abunda a fé na humanidade. Assistimos a um regresso em força do discurso sobre as massas ignorantes, irresponsáveis e irracionais, agora à solta pelas redes sociais. Partindo de um conjunto de autores que analisaram a relação entre os especialistas e o público, pretendemos responder às seguintes questões: (1) Numa sociedade democrática, até que ponto os especialistas podem contribuir para uma melhoria, por um lado, dos métodos e condições da discussão pública e, por outro, dos processos de deliberação e decisão política? (2) em que condições e circunstâncias as previsões dos especialistas podem ser mais fiáveis do que as emoções e intuições do público?


Texto Completo:

PDF

Referências


Arrow, K. (1992). I know a Hawk from a Hardsaw”. In M. Szenberg (ed.), Eminent economists: their lifes and philosofies (pp. 42-50). Cambridge and New York: Cambridge University Press.

Berlin, I. (1999). A apoteose da vontade romântica: uma antologia de ensaios (Trad. Curvelo, Trad.). Lisboa: Editorial Bizâncio.

Brennan, J. (2016). Against democracy. Princeton and Oxford: Princeton University Press. Dewey, J. (1954). The public and its problems. Athens: Swallow. (Obra original publicada em 1927).

Gasset, J. O. (1997). La rebelión de las masas. Barcelona: Editorial Optima. (Obra original publicada em 1930).

Habermas (2001). Moral consciousness and communicative action. Cambridge, MA: MIT Press. Hayek, P. A. (1967). Studies in philosophy, politics and economics. Chicago: The University of Chicago Press.

Kahneman, D. (2012). Pensar, depressa e devagar (Trad. P. Vidal). Lisboa: Círculo de Leitores.

Kuran, T. & Sunstein, C. R. (1999). Availability cascades and risk regulation. Stanford Law Review, 51, 683-768.

Laski, H. J. (1931). The limitations of the expert. Fabian Tract, 233, 3-14. Lippmann, W. (1993). The phantom public. New York: Macmillan. (Obra original publicada em 1925).

Lippmann, W. (1998). Public opinion (2.a ed.). New Brunswick (U.S.A.) and London: Transaction Publishers. (Obra original publicada em 1922).

Nichols, T. (2017). The death of expertise: the campaign against established knowledge and why it matters. New York: Oxford University Press.

Noelle-Neumann, E. (1995). La espiral del silencio. Opinión pública: nuestra piel social. Barce- lona: Paidós.

Scheufele, D. A. & Tewksbury, D. (2007). Framing, agenda-setting, and priming: the evolution of three media effects models. Journal of Communication, 57, 9-20.

Schumpeter, J. A. (2000). Capitalism, socialism & democracy. London: Routledge Press. (Obra original publicada em 1943).

Shanteau, J. (1992). Competence in experts: The role of task characteristics. Organizational Behavior and Human Decisions Processes, 53, 252-266.

Slovic, P. (1999). Trust, Emotion, Sex, Politics, and Science: Surveying the Risk-Assessment Battlefield. Risk Analysis, 19(4), 689-701.

Taleb, N. N. (2013). O cisne negro: o impacto do altamente improvável (Trad. S. Oliveira). Lisboa: D. Quixote. (Obra original publicada em 2007).

Tetlock, P. (2005). Expert political judgment: how Good is it? How can we know?. New Jersey: Princeton University Press.

Tocqueville, A. de (2001). Da democracia na América (Trad. C. C. M. de Oliveira). S. João do Estoril: Principia. (Obra original publica em 1835).


Apontadores

  • Não há apontadores.


Licença URL: https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/deed.pt_PT