A representação das mulheres em Irene Lisboa e Maria Lamas à luz do jornalismo literário

Autores/as

Resumen

Num contexto marcado pela persistência de desigualdades de género, o foco académico nas condições das mulheres continua a ser relevante. O presente artigo concentra-se na representação das mulheres em Portugal de meados do século XX a partir da obra jornalístico-literária de Irene Lisboa (1892-1958) e Maria Lamas (1893-1983), nomeadamente as crónicas de Lisboa (1940-1950, em O pouco e o muito: Crónica urbana e Crónicas da serra) e a fotorreportagem de Lamas As mulheres do meu país (1948-1950). Enquadrado pela teoria da narrativa e pelo conceito da representação, e norteado por uma análise documental (temática e textual), este estudo comparativo identifica os recursos jornalístico-literários que Irene Lisboa e Maria Lamas utilizam para expor a pobreza, as desigualdades, a violência e a exclusão cívica das mulheres durante o Estado Novo. Este desígnio ético e estético, inerente ao jornalismo literário, aproxima-se do jornalismo de justiça social enquanto denúncia de iniquidades e apelo a uma participação cívica alargada. O artigo sublinha a atualidade dos temas abordados pelas autoras, mostrando como a sua escrita, ao cruzar registo literário e factual, constitui um documento histórico essencial nos dias de hoje.

Biografía del autor/a

Jorge da Cunha, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – Universidade de Lisboa

Jorge da Cunha é doutorando no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade de Lisboa (ISCSP) onde faz pesquisa em jornalismo literário. É mestre em Ciências da Educação e especializado em educação especial na área da dislexia. Tem formação superior em Antropologia. É professor de português e coordenador do serviço de educação especial, no Externato João Alberto Faria, em Arruda dos Vinhos, perto de Lisboa. Nos últimos anos tem-se dedicado ao estudo da obra jornalístico-literária de Irene Lisboa, escritora portuguesa da primeira metade do século XX.

Marta Soares, CAPP e CEAUL/ULICES - Universidade de Lisboa

Marta Soares é Professora Associada Convidada no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É também investigadora no Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP), e no Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa (ULICES/CEAUL), onde faz parte do Projeto em Humanidades Médicas. O seu trabalho atual incide sobre a representação narrativa da saúde (doença crónica, a pandemia COVID-19 e saúde mental), sobretudo no Jornalismo Literário, tendo ministrado cursos e publicado sobre estas áreas. Neste momento, interessa-se por Humanidades Médicas, Jornalismo Literário e Escrita de Vida.

Raquel Baltazar, ISCSP, CAPP, Universidade de Lisboa

Raquel Baltazar é doutorada em Estudos Literários e Culturais e professora auxiliar no ISCSP, Universidade de Lisboa, onde leciona Inglês para as Ciências Sociais e Expressão Escrita e Oral. É investigadora associada do CAPP e atualmente vice-presidente do Centro, sendo editora-chefe da revista Ciências e Políticas Públicas. É também membro do IALJS. Publicou sobre ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras escritas e orais. Mais recentemente, os seus interesses de investigação e publicações abrangem Jornalismo Literário, literatura de viagem, estudos culturais e linguísticos nos domínios anglófono e lusófono e estudos transatlânticos.

Rita Amorim, ISCSP, CAPP, Universidade de Lisboa

Rita Amorim é Professora Auxiliar no ISCSP, Universidade de Lisboa, onde leciona Inglês para as Ciências Sociais. É doutorada em Relações Internacionais e investigadora associada do CAPP e membro do IALJS. Publicou sobre code-switching, ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras e inglês como língua franca. Mais recentemente, os seus interesses de investigação e publicações abrangem Jornalismo Literário e a sua interseção com a justiça social, literatura de viagem, estudos culturais e linguísticos em domínios anglófonos e lusófonos e estudos transatlânticos

Publicado

2026-05-31