Fábrica de controle de pensamentos: doutrinação e propaganda na perspectiva de Noam Chomsky

Hadassa Ester David

Resumo


Neste artigo, a observação se dá a partir de um contexto específico dentro do quadro analítico do linguista, filósofo e ativista Noam Chomsky: a ocasião da implantação da Nova Ordem Mundial. Como um crítico ferrenho da política externa norte-americana, sua análise é inerente às mudanças na ordem internacional desencadeadas logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Chomsky expõe o plano norte-americano de dominação ou supremacia global cujo intento primordial era a conquista da chamada “Grande Área”, lançado no pós-guerra, deflagrando então a Guerra Fria. O pensador discute as contradições e as farsas da guerra e do estado terrorista, bem como avalia as tentativas de doutrinação por meio da propaganda e seus mecanismos de persuasão, manipulação e controle do juízo popular na busca da formação de uma opinião pública favorável ao establishment e a manutenção do status quo. Uma das mais certeiras táticas da propaganda observadas por Chomsky é a linguagem utilizada com o intuito de solapar ou enaltecer ideologias. O discurso e a palavra são elementos fundamentais para compreen- der a propaganda à luz do pensamento de Chomsky. A propaganda faz emergir termos de fachada, isto é, significantes com significados previamente disfarçados para evocar conotações equivocadas e desvirtuar ideias e fatos. Neste sentido, o significado ‘comum’ não corresponde ao ‘sentido doutrinário’.


Palavras-chave


guerra fria; nova ordem mundial; doutrinação; propaganda.

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