“O quixotesco Boris Johnson” da pandemia de Covid-19

Juliana Alcantara

Resumo


O primeiro-ministro britânico Boris Johnson começou a ser alvo de críticas nos media do próprio país antes mesmo da pandemia de coronavírus ter sido decretada, o que ocorreu em 11 de março pela Organização Mundial da Saúde. Ainda em março, o porta-voz do governo testou positivo para a Covid-19 e esteve em estado crítico de saúde num processo de internamento. Para colocar em perspetiva o caso em Portugal e tencionando compreender como a narrativa jornalística construiu a personagem mediática em questão, analisaremos o artigo “Especiais, mas poucos” do semanário português Expresso, publicado em 23 de maio de 2020. A abordagem metodológica combina a narratologia e a teoria do jornalismo, tendo em conta a narrativa noticiosa como um elemento fundamental para o conhecimento do mundo e um campo de formação e representação de identidades. Sob estas perspetivas, compreende-se como a personagem mediática Boris Johnson foi construída em meio ao contexto de crise pandémica. O primeiro-ministro britânico figurou a partir das características do protagonista da obra de Miguel Cervantes. Foi possível analisar como a personagem Dom Quixote se desloca do plano ficcional-literário para o plano factual-jornalístico e como sua sobrevida serviu para o caracterizar como louco.


Palavras-chave


narrativa, jornalismo, personagem mediática, política, pandemia, Covid-19

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