Redes, ativismo e mobilizações públicas. Ação colectiva e ação conectada

Isabel Babo

Resumo


Com o uso generalizado das redes sociais digitais surgiram novas práticas comunicacionais e de mobilização coletiva, assim como novas configurações de agir e se manifestar em público. Neste texto, questiona-se onde começa ou acaba a ação coletiva em relação à ação conectada (connective action; Bennett e Segerberg, 2012), admitindo-se que estas modalidades ou lógicas de ação podem mitigarem-se, num regime híbrido. Para tal, começa-se por colocar a comunicação como ação e participação, passando à ação coletiva, ação situada e ação pública, para, de seguida, encarar a ação conectada na rede. Pretende-se discutir as fronteiras permeáveis entre a ação conectada e a ação coletiva, com referência ao movimento “Que se lixe a Troika”, que emergiu nas redes sociais digitais, e às manifestações do dia 15 de Setembro de 2012 e de março de 2013, indagando-se o ativismo em rede e a participação na rua. Em suma, trata-se de questionar se uma ação conectada, que congregue vários utilizadores, pode constituir uma ação coletiva.


Palavras-chave


Ação Coletiva; Ação Conectada; Ativismo em Rede; Mobilização Pública

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