Representações de morte e desvio em narrativas jornalísticas da Amazônia urbana

Sergio do Espirito Santo Ferreira Junior, Alda Cristina Costa

Resumo


O objetivo deste artigo é analisar como as narrativas jornalísticas produzidas na Amazônia Paraense apresentam as mortes por violência urbana, ancorando-as às representações sociais do bem e do mal, definindo e participando da construção social do fenômeno da violência e da rotulação de desviantes. As narrativas estão inseridas na rotina cotidiana de repercussões em um ambiente sociossimbólico, cujas representações sociais são alimento para as narrativas das mídias jornalísticas e são por elas alimentadas. Pensamos como a comunicação midiática rearranja o fenômeno, na produção de experiência social em uma cotidianidade. Analisamos as narrativas dos principais jornais impressos da região, Amazônia, Diário do Pará e O Liberal, cujo modus narrandi é permeado pela reiteração dualista das mortes por violência urbana, apresentadas como a morte inesperada dos bons e a morte naturalizada dos maus. Pensamos as representações sociais a partir do pensamento de Moscovici e Jovchelovitch, como sistema interpretativo formado por formas de conhecimento socialmente partilhadas, que ordenam e governam as condutas dos indivíduos, face aos objetos sociais da vida cotidiana, constituindo-a, por meio de processos de ancoragem e objetivação. 


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