Acesso e apropriação de notícias jornalísticas em redes sociais no Brasil: refinando a noção de “participação”

Telma Sueli Pinto Johnson, Pedro Augusto Farnese

Resumo


Este artigo examina formas de apropriação e deliberação mediada de notícias na página do centenário jornal impresso brasileiro O Estado de S. Paulo acessada pela plataforma de rede social global Facebook. O estudo foca nas interações entre usuários sob a ótica da qualidade da participação, para além das práticas comuns de curtir, descurtir e/ou compartilhar. Os comentários aos artigos de notícias publicados pelo jornal em sua página do Facebook são considerados como uma participação mais ativa e elaborada para trocas comunicacionais públicas argumentadas por razões. Um corpus comparativo de análise foi selecionado nos meses de outubro de 2015 e outubro de 2016, totalizando 386 postagens e 1.911 comentários, para compreender e diferenciar formas de participação válidas e responsáveis capazes de construir e sustentar o debate democrático. Uma das principais descobertas foi que 185 postagens do Estadão no período estudado de outubro de 2015 geraram 1.195 comentários, mas apenas 38% desses comentários foram considerados qualificados. Um ano depois, os dados revelaram evidências completamente diferentes. Embora houvesse mais postagens na página do Estadão no Facebook, totalizando 201, houve consideravelmente menos comentários. A participação é discutida dentro do contexto político problemático e sua relação com a dramática recessão econômica no país.


Palavras-chave


Journalism; social networks; issues of participation; new methods

Texto Completo:

PDF (English)

Referências


Carlson, M. & Lewis, S. (2015). Boundaries of journalism: Professionalism, practices and participation. London: Routledge.

Carro, R. (2016). Brasil. Digital News Report 2016 (pp. 82-83). Oxford: University of Oxford Press.

De Santi, A. (June 2015). O lado negro do Facebook. Revista Superinteressante, (348): 28-39.

Gillespie, T. (2014). The relevance of algorithms. In T. Gillespie, P. Boczkowski & K. Foot (eds.), Media technologies: essays on communication, materiality, and society (pp. 167-194). Cambridge, MA: MIT Press.

Gomes, W. (2014). Esfera pública política. In A. Citelli, C. Berger & M. A. Baccega, Dicionário de Comunicação: escolas, teorias e autores (pp. 221-229). São Paulo: Contexto.

Gomes, W. & Maia, R. (2008). Comunicação e democracia. São Paulo: Paulus.

Habermas, J. (1997). Direito e democracia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.

Harcup, T. & O’Neill, D. (2016). What is News? News values revisited (again), Journalism Studies. Doi: 10.1080/1461670X.2016.1150193

Hjarvard, S. (Jan-Jun de 2012). Midiatização: teorizando a mídia como agente de mudança social e cultural. Matrizes, 5(2): 53-91.

Jenkins, H. (Jan-Abr de 2016). Convergência e conexão são o que impulsionam a mídia agora. Entrevista concedidada a Priscila Kalinke e Anderson Rocha. Revista Brasileira de Ciências

da Comunicação – Intercom, 39(1): 213-219.

Johnson, T. S. (2015). Entre hard e soft news: explorando modelos de personalização de notícias em plataformas sociais. Lumina, 9: 1-18. Source: https://lumina.ufjf.emnuvens.com.br/lumi

na/article/view/479

Lorenz, M. (2014). Personalização: análise aos 6 graus. In J. Canavilhas, Webjornalismo: 7 características que marcam a diferença (pp. 137-145). Covilhã: Libros LabCom.

Mager, A. (2011). Algorithmic Ideology: how capitalist society shapes search engines. Conference paper for "A Decade in Internet Time"@OII. Oxford: Oxford. Accessed on December

, 2016, available at http://ssrn.com/abstract=1926244

Manovich, L. (1999). Database as symbolic form. Convergence: The International Journal of Research into New Media Technologies, 5(2): 80-99.

Martino, L. M. (2015). Teorias das mídias digitais. Petrópolis-RJ: Vozes.

Mitchell, W. & Hansen, M. B. (2010). Introduction. In W. J. Mitchell & M. B. Hansen, Critical terms for media studies (pp. vii-xxii). Chicago: The University of Chicago Press.

Portal da Imprensa. (2015). Estudo revela que "Estadão"é o veículo mais acessado pelos brasileiros na internet. Portal da Imprensa. Accessed on December 10, 2015, available at www.por

atlimprensa.com.br/noticias/brasil/72954/estudo+revela+que+estadao+e+o+veiculo+mais+a

cessado+pelos+brasileiros+na+internet

Primo, A. (2007). Interação mediada por computador: comunicação, cibercultura, cognição. Porto Alegre: Sulina.

Ramirez, P. A. (2016). Mediatizácion social: poder, mercado y consumo simbólico. Salamanca: Comunicación Social (CS).

Reuters Institute for the Study of Journalism. (2016). Digital News Report 2016. Oxford: Reuters Institute. Source: www.digitalnewsreport.org

Rost, A. (2014). Interatividade: definições, estudos e tendências. In J. Canavilhas,Webjornalismo: 7 características que marcam a diferença (pp. 53-88). Covilhã: Livros LabCom.

Silva, G. (2013). Para pensar critérios de noticiabilidade. In G. Silva, M. P. Silva & M. L. Fernandes, Critérios de noticiabilidade: problemas conceituais e aplicações (pp. 51-69). Florianópolis:

Insular.

Silverstone, R. (1999). Por que estudar a mídia?. São Paulo: Loyola.

Sousa, P. J. (2002). Teorias da notícia e do jornalismo. Chapecó: Argos.

Stiegler, B. (2010). Memory. In W. J. Mitchell & M. B. Hansen, Critical terms for media studies (pp. 64-87). Chicago: The University of Chicago Press.

Wolton, D. (2010). Informar não é comunicar. Porto Alegre: Sulina.

Woolley, S. C. (April de 2016). Automating power: social bot interference in global politics. First Monday, 21(4): 1-13. Source: http://firstmonday.org/ojs/index.php/fm/article/view/6161/53


Apontadores

  • Não há apontadores.


Licença URL: https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/deed.pt_PT