Desconforto e corporeidade: documentário como método no cinema de Ulrich Seidl
Resumo
O artigo analisa a filmografia de Ulrich Seidl, destacando o documentário não apenas como gênero, mas como método que embaralha fronteiras com a ficção e permite a irrupção do real em suas narrativas. O corpo é elemento central de sua prática estética e política, funcionando como superfície de inscrição de tensões sociais, culturais e históricas ligadas à migração, religião e sexualidade na Europa contemporânea. O desconforto, marca recorrente de sua obra, atua como estratégia crítica capaz de mobilizar afetos, tensionar limites éticos e provocar reflexões sobre os valores hegemônicos da sociedade ocidental. Assim, a corporeidade em Seidl se configura como espaço de resistência e potência de pensamento no cinema contemporâneo.
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