Torturadores e torturados: a violência de Estado em dois filmes brasileiros recentes

Anita Leandro, Mateus Araújo

Resumo


O artigo examina dois filmes brasileiros recentes – Pastor Cláudio (Beth Formaggini, 2017) e Sete anos em maio (Affonso Uchôa, 2019) – que abordam, com materiais, estratégias e personagens muito diferentes, a questão da violência de Estado no Brasil. O protagonista de um é um agente da repressão durante a ditadura, e o do outro é um jovem torturado pela polícia nos dias de hoje. Trata-se de analisar o modo como os filmes constroem as condições para os testemunhos de seus personagens e enfrentam um aspecto tragicamente atual da história do país.


Palavras-chave


cinema brasileiro contemporâneo; tortura; extermínio; Pastor Cláudio; Sete anos em maio

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Referências


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Que bom te ver viva (1989), de Lúcia Murat.

Ressurreição (1989), de Arthur Omar.

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Sete anos em maio (2019), de Affonso Uchôa.

Tropa de Elite (2007), de José Padilha.

Você também pode dar um presunto legal (1974), de Sérgio Muniz.


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