Um filme de pernas tortas: Garrincha, alegria do povo

Silvana Seabra, Jane de Almeida, Patricia Gimenez

Resumo


Este artigo propõe a releitura do filme Garrincha, alegria do povo (1963), de Joaquim Pedro de Andrade, a partir do material imagético diversificado que o compõe. Apontando questões sobre o documentário, o cinema verité e o cinema direto, o artigo discute a montagem do filme a partir de “material impuro”, derivado de arquivos fílmicos e televisivos, fotografias de jornais e material recém-filmado, um procedimento pouco comum na época. A partir de pontos de semelhança com o conceito de “filme-ensaio”, argumenta-se que Garrincha, além de ser um filme singular, é também um exemplo precoce de uma prática recente e inventiva que se utiliza de arquivos para sua composição.

Palavras-chave


documentário; filme-ensaio; Garrincha, alegria do povo; montagem

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