A cidade inimiga: o projeto de Brasília e o cinema de Adirley Queirós

Felippe Schultz Mussel

Resumo


Quatro filmes dirigidos por Adirley Queirós – Rap, o canto da Ceilândia (2005), Dias de greve (2009), A cidade é uma só? (2011) e Branco sai, preto fica (2014) – são fortemente construídos pelas dissonâncias entre Brasília e Ceilândia – cidade-satélite do Distrito Federal de onde emana a produção audiovisual que colocamos em questão. Filmes que investem em operações de confronto entre territórios e fronteiras, corpos e arquiteturas, memórias e apagamentos, desejos e utopias, “nós” e “eles”. Tratam-se de elementos sensíveis que ao mesmo tempo constituem as cidades e, como pretendemos investigar, modulam as suas próprias formas de inscrição cinematográfica. Interessado nesses imbricamentos entre o cinema e as duas cidades do Distrito Federal, nosso estudo de caso se estrutura a partir do cotejo com um conjunto de filmes que ainda nos primeiros tempos de Brasília engendraram a fundação da capital e a sua legitimação, assim como escancararam as próprias contradições no interior do seu projeto de cidade. A partir da recorrência de determinados elementos visuais, a pesquisa busca então perceber as semelhanças, as resistências e as reinvenções operadas pelo cinema de Adirley diante de Brasília e suas imagens.

Palavras-chave: Adirley Queirós; Brasília; cidade; território; corpo; subjetivação. 


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