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chamada de artigos DOC 31

 

Dossier temático:

Documentário e movimentos migratórios

As imagens deram a volta ao mundo. Canais de televisão reprisaram à exaustão cenas que os espectadores estavam habituados a assistir em filmes americanos sobre o velho oeste: policiais da guarda fronteira texana, a cavalo, ostentando chapéus de cowboys e brandindo cordas à guisa de laço, procuravam impedir que imigrantes haitianos entrassem em território estadunidense. 

Se este foi o episódio recente mais impactante daquilo que costuma acontecer na região - talvez por remeter a um imaginário coletivo construído nas salas escuras dos cinemas -, é sabido que são numerosos e diversificados os conflitos envolvendo imigrantes ilegais ao longo dos 3.150 quilômetros que separam o México dos Estados Unidos. Em alguns pontos estratégicos, legiões de deserdados se acumulam em busca de melhores condições de vida em território americano. Até chegarem às margens do Rio Grande, enfrentaram todo tipo de percalço. Em boa parte saídos da América Central - mas não apenas - quem possui algum recurso será, primeiramente, vítima dos “coiotes”, atravessadores que cobram valores muito elevados para levá-los até a fronteira. Os menos afortunados procuram fazer a travessia por outros meios, que incluem longas marchas pelo deserto sob um calor de 40 graus.

Um pouco antes das cenas de faroeste contemporâneo – e extemporâneo – invadirem os meios de comunicação e as redes sociais, foi a multitude de africanos, oriundos dos mais diversos países do continente e acantonados em Marrocos, que ocupou as manchetes dos jornais televisivos do mundo inteiro. Procurando a todo custo saltar por sobre os muros que separam este país de Ceuta e Melilla, cidades espanholas, aqueles que logravam seu intento eram perseguidos como animais pela polícia espanhola. Outros tantos se arriscavam a contornar as barreiras a nado. Muitos, quando não sucumbiam à travessia, eram capturados no mar ou, caso alcançassem seu objetivo e penetrassem na Europa pela “entrada dos fundos” – como são conhecidas as duas cidades -, eram submetidos à mesma sorte daqueles que tiveram êxito na escalada dos muros.

Os exemplos de tragédias humanas decorrentes dos processos migratórios clandestinos são extremamente numerosos e não param de crescer. O último relatório do “Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados – ACNUR”, publicado em junho do ano em curso, revela que 82,4 milhões de pessoas se encontram deslocadas no interior de seus países ou foram empurradas para fora deles em razão de guerras, fome, perseguições e conflitos os mais diversos.

O dossiê temático do número 31 da Doc On-line pretende receber contribuições que tenham como objeto este fenômeno contemporâneo cujas consequências ainda não foram devidamente mensuradas. 

Perguntamo-nos como o cinema de não ficção vem abordando experiências como as acima descritas? Que posições têm assumido frente a elas? Para além de registrar os fatos, de que procedimentos têm se servido na sensibilização de quem a eles assiste? Que papel desempenham no interior de movimentos que militam pela busca de soluções?   

 

Envio de artigos para o Dossier temático: até 21 de janeiro de 2022.

 
Publicado: 2021-02-07
 
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