Chamada de artigos

Chamada de Trabalhos para o n.7 da Rhétoriké - revista digital de retórica

 

Retórica e saúde

 

Coordenação: Maria Grazia Rossi (IFILNOVA/Universidade Nova de Lisboa). E-mail: mgrazia.rossi@fcsh.unl.pt

 

Prazo para Submissão de Propostas: 31 outubro de 2019

 

A ideia de que o uso da linguagem pode funcionar como um fármaco (pharmakon) é antiga mas impõe questionamentos relevantes ainda hoje. Já etimologicamente, a referência à palavra pharmakon é ambígua por si, porque pode descrever um antídoto bem como um veneno. Em conformidade com esta análise, há razões conceptuais e dados empíricos que revelam nitidamente que os efeitos da linguagem podem conduzir a grandes mudanças, tanto positivas como negativas, para a saúde das pessoas, doentes e/ou cidadãos.

Embora seja claro que o efeito curativo da linguagem é mediado por muitos factores (e.g. compreensão, motivação, apoio social, confiança no sistema, etc.), os estudos mostram que uma comunicação de qualidade produz  efeitos desejáveis sobre os resultados clínicos. De forma  mais geral, se a qualidade de vida, aos níveis clínico, emotivo e relacional, é afetada por como as palavras são ditas, vividas e interpretadas, a utilização adequada e eficaz da linguagem exige um compromisso de responsabilidade ética para todos. Isso aplica-se seguramente à avaliação da competência comunicativa dos profissionais de saúde mas também à avaliação da comunicação das organizações públicas e privadas que promovem ações comunicativas de sensibilizações sobre a saúde ou sobre a oportunidade de conduzir uma vida saudável, mais respeitadora das outras pessoas e do ambiente. Recordemos, por exemplo, no debate sobre a vacinação,  a resistência ao antibiótico, campanhas sobre os riscos da polução ou contra fumar nos espaços públicos.

Apesar da tradição retorica ter dito muito sobre o que faz da comunicação uma comunicação de qualidade, entender o que isso significa não é obvio. Por exemplo, não é suficiente dizer que uma comunicação se torna eficaz  quando é persuasiva, porque obter – por intermedio da persuasão – uma mudança de atitudes e/ou comportamentos não coincide com a medida do seu valor ético. Isso é ainda mais importante quando foram utilizadas estratégias de persuasão implícitas que, por  vezes (mas nem sempre), podem ser manipuladoras. Tal é importante na comunicação entre médico e doente, na qual as recomendações medicas são reconhecidas como autênticos atos de persuasão. Mas também é importante no caso da comunicação pública e das redes sociais onde o perigo da no que diz respeito a  mal-entendidos e mudança de comportamentos se propagam e escapam ao controlo muito rapidamente.

Existem, portanto, pelo menos dois níveis de analises possíveis deste tema. De um ponto de vista linguístico, é preciso compreender quais são as estratégias comunicativas mais eficazes para persuadir a pessoa doente (ou o cidadão) de que um determinado comportamento ou tratamento medico é (mais) adequado à sua condição. Além disso, de um ponto de vista ético, é importante compreender quais são as estratégias comunicativas legitimas; isto é, quais estratégias comunicativas são baseadas no respeito dos valores tanto da agenda  médica e social, como da agenda da pessoa doente (ou do cidadão). Neste debate situam-se  as reflexões no âmbito da medicina baseada nos valores (value-based medicine), centrada no paciente (patient centred medicine), bem como reflexões  vindas do paradigma da medicina narrativa e da tecnologia persuasiva (persuasive technology), com toda as suas inovações tecnológicas (e.g. telemedicina, aplicações para smartphone, redes sociais, etc.).

O número 7 da Rhetoriké –revista digital de retórica, dedicado à Retórica e saúde, recebe artigos científicos focados na importância da comunicação na área da saúde e que iluminem a dimensão ética da persuasão na linguagem tanto a nível individual (entre médicos e doentes) como colectivo (entre instituições e cidadãos, entre média e cidadãos).

 

Este número acolhe contributos de âmbito teórico ou empírico (incluindo estudos de caso), de todas as áreas do conhecimento (como Estudos Clássicos, Estudos Literários, Linguística, Filosofia, Psicologia, etc.), que reflictam sobre a importância persuasiva e ética da comunicação no contexto da saúde. Nomeadamente, acolhem-se propostas enquadradas nas seguintes temáticas:

 

  • Linguagem como pharmakon
  • Comunicação entre médicos e doentes
  • Persuasão, argumentação e manipulação em saúde
  • Ética do discurso medico e ética da saúde
  • Eficácia e relevância ética da medicina narrativa
  • Decisão partilhada entre médicos e doentes
  • Campanhas sociais e publicidade de saúde
  • Tecnologia persuasiva e saúde
  • Rede sociais e procura de informação de saúde na web
  • Medicina baseada nos valores (value based medicine)
  • Medicina focada  nos doentes (patient based medicine)
  • Opinião publica e saúde
  • Persuasão visual e importância das imagens na  saúde
  • Estratégias linguísticas  eficazes para profissionais de saúde
  • Comunicação das emoções e importância das relações pessoais em saúde
  • Efeito placebo das palavras

 

Serão aceites artigos científicos em Português, Espanhol e Inglês submetidos na plataforma OJS da revista até 31 de outubro de 2019.

 
Publicado: 2019-06-17
 

Chamada de Trabalhos para o n.7 da Rhétoriké - revista digital de retórica

 

Retórica e saúde

 

Coordenação: Maria Grazia Rossi (IFILNOVA/Universidade Nova de Lisboa). E-mail: mgrazia.rossi@fcsh.unl.pt

 

Prazo para Submissão de Propostas: 31 outubro de 2019

 

A ideia de que o uso da linguagem pode funcionar como um fármaco (pharmakon) é antiga mas impõe questionamentos relevantes ainda hoje. Já etimologicamente, a referência à palavra pharmakon é ambígua por si, porque pode descrever um antídoto bem como um veneno. Em conformidade com esta análise, há razões conceptuais e dados empíricos que revelam nitidamente que os efeitos da linguagem podem conduzir a grandes mudanças, tanto positivas como negativas, para a saúde das pessoas, doentes e/ou cidadãos.

Embora seja claro que o efeito curativo da linguagem é mediado por muitos factores (e.g. compreensão, motivação, apoio social, confiança no sistema, etc.), os estudos mostram que uma comunicação de qualidade produz  efeitos desejáveis sobre os resultados clínicos. De forma  mais geral, se a qualidade de vida, aos níveis clínico, emotivo e relacional, é afetada por como as palavras são ditas, vividas e interpretadas, a utilização adequada e eficaz da linguagem exige um compromisso de responsabilidade ética para todos. Isso aplica-se seguramente à avaliação da competência comunicativa dos profissionais de saúde mas também à avaliação da comunicação das organizações públicas e privadas que promovem ações comunicativas de sensibilizações sobre a saúde ou sobre a oportunidade de conduzir uma vida saudável, mais respeitadora das outras pessoas e do ambiente. Recordemos, por exemplo, no debate sobre a vacinação,  a resistência ao antibiótico, campanhas sobre os riscos da polução ou contra fumar nos espaços públicos.

Apesar da tradição retorica ter dito muito sobre o que faz da comunicação uma comunicação de qualidade, entender o que isso significa não é obvio. Por exemplo, não é suficiente dizer que uma comunicação se torna eficaz  quando é persuasiva, porque obter – por intermedio da persuasão – uma mudança de atitudes e/ou comportamentos não coincide com a medida do seu valor ético. Isso é ainda mais importante quando foram utilizadas estratégias de persuasão implícitas que, por  vezes (mas nem sempre), podem ser manipuladoras. Tal é importante na comunicação entre médico e doente, na qual as recomendações medicas são reconhecidas como autênticos atos de persuasão. Mas também é importante no caso da comunicação pública e das redes sociais onde o perigo da no que diz respeito a  mal-entendidos e mudança de comportamentos se propagam e escapam ao controlo muito rapidamente.

Existem, portanto, pelo menos dois níveis de analises possíveis deste tema. De um ponto de vista linguístico, é preciso compreender quais são as estratégias comunicativas mais eficazes para persuadir a pessoa doente (ou o cidadão) de que um determinado comportamento ou tratamento medico é (mais) adequado à sua condição. Além disso, de um ponto de vista ético, é importante compreender quais são as estratégias comunicativas legitimas; isto é, quais estratégias comunicativas são baseadas no respeito dos valores tanto da agenda  médica e social, como da agenda da pessoa doente (ou do cidadão). Neste debate situam-se  as reflexões no âmbito da medicina baseada nos valores (value-based medicine), centrada no paciente (patient centred medicine), bem como reflexões  vindas do paradigma da medicina narrativa e da tecnologia persuasiva (persuasive technology), com toda as suas inovações tecnológicas (e.g. telemedicina, aplicações para smartphone, redes sociais, etc.).

O número 7 da Rhetoriké –revista digital de retórica, dedicado à Retórica e saúde, recebe artigos científicos focados na importância da comunicação na área da saúde e que iluminem a dimensão ética da persuasão na linguagem tanto a nível individual (entre médicos e doentes) como colectivo (entre instituições e cidadãos, entre média e cidadãos).

 

Este número acolhe contributos de âmbito teórico ou empírico (incluindo estudos de caso), de todas as áreas do conhecimento (como Estudos Clássicos, Estudos Literários, Linguística, Filosofia, Psicologia, etc.), que reflictam sobre a importância persuasiva e ética da comunicação no contexto da saúde. Nomeadamente, acolhem-se propostas enquadradas nas seguintes temáticas:

 

  • Linguagem como pharmakon
  • Comunicação entre médicos e doentes
  • Persuasão, argumentação e manipulação em saúde
  • Ética do discurso medico e ética da saúde
  • Eficácia e relevância ética da medicina narrativa
  • Decisão partilhada entre médicos e doentes
  • Campanhas sociais e publicidade de saúde
  • Tecnologia persuasiva e saúde
  • Rede sociais e procura de informação de saúde na web
  • Medicina baseada nos valores (value based medicine)
  • Medicina focada  nos doentes (patient based medicine)
  • Opinião publica e saúde
  • Persuasão visual e importância das imagens na  saúde
  • Estratégias linguísticas  eficazes para profissionais de saúde
  • Comunicação das emoções e importância das relações pessoais em saúde
  • Efeito placebo das palavras

 

Serão aceites artigos científicos em Português, Espanhol e Inglês submetidos na plataforma OJS da revista até 31 de outubro de 2019.

 
Publicado: 2019-06-17
 

Chamada de Trabalhos para o n.7 da Rhétoriké - revista digital de retórica

 

Retórica e saúde

 

Coordenação: Maria Grazia Rossi (IFILNOVA/Universidade Nova de Lisboa). E-mail: mgrazia.rossi@fcsh.unl.pt

 

Prazo para Submissão de Propostas: 31 outubro de 2019

 

A ideia de que o uso da linguagem pode funcionar como um fármaco (pharmakon) é antiga mas impõe questionamentos relevantes ainda hoje. Já etimologicamente, a referência à palavra pharmakon é ambígua por si, porque pode descrever um antídoto bem como um veneno. Em conformidade com esta análise, há razões conceptuais e dados empíricos que revelam nitidamente que os efeitos da linguagem podem conduzir a grandes mudanças, tanto positivas como negativas, para a saúde das pessoas, doentes e/ou cidadãos.

Embora seja claro que o efeito curativo da linguagem é mediado por muitos factores (e.g. compreensão, motivação, apoio social, confiança no sistema, etc.), os estudos mostram que uma comunicação de qualidade produz  efeitos desejáveis sobre os resultados clínicos. De forma  mais geral, se a qualidade de vida, aos níveis clínico, emotivo e relacional, é afetada por como as palavras são ditas, vividas e interpretadas, a utilização adequada e eficaz da linguagem exige um compromisso de responsabilidade ética para todos. Isso aplica-se seguramente à avaliação da competência comunicativa dos profissionais de saúde mas também à avaliação da comunicação das organizações públicas e privadas que promovem ações comunicativas de sensibilizações sobre a saúde ou sobre a oportunidade de conduzir uma vida saudável, mais respeitadora das outras pessoas e do ambiente. Recordemos, por exemplo, no debate sobre a vacinação,  a resistência ao antibiótico, campanhas sobre os riscos da polução ou contra fumar nos espaços públicos.

Apesar da tradição retorica ter dito muito sobre o que faz da comunicação uma comunicação de qualidade, entender o que isso significa não é obvio. Por exemplo, não é suficiente dizer que uma comunicação se torna eficaz  quando é persuasiva, porque obter – por intermedio da persuasão – uma mudança de atitudes e/ou comportamentos não coincide com a medida do seu valor ético. Isso é ainda mais importante quando foram utilizadas estratégias de persuasão implícitas que, por  vezes (mas nem sempre), podem ser manipuladoras. Tal é importante na comunicação entre médico e doente, na qual as recomendações medicas são reconhecidas como autênticos atos de persuasão. Mas também é importante no caso da comunicação pública e das redes sociais onde o perigo da no que diz respeito a  mal-entendidos e mudança de comportamentos se propagam e escapam ao controlo muito rapidamente.

Existem, portanto, pelo menos dois níveis de analises possíveis deste tema. De um ponto de vista linguístico, é preciso compreender quais são as estratégias comunicativas mais eficazes para persuadir a pessoa doente (ou o cidadão) de que um determinado comportamento ou tratamento medico é (mais) adequado à sua condição. Além disso, de um ponto de vista ético, é importante compreender quais são as estratégias comunicativas legitimas; isto é, quais estratégias comunicativas são baseadas no respeito dos valores tanto da agenda  médica e social, como da agenda da pessoa doente (ou do cidadão). Neste debate situam-se  as reflexões no âmbito da medicina baseada nos valores (value-based medicine), centrada no paciente (patient centred medicine), bem como reflexões  vindas do paradigma da medicina narrativa e da tecnologia persuasiva (persuasive technology), com toda as suas inovações tecnológicas (e.g. telemedicina, aplicações para smartphone, redes sociais, etc.).

O número 7 da Rhetoriké –revista digital de retórica, dedicado à Retórica e saúde, recebe artigos científicos focados na importância da comunicação na área da saúde e que iluminem a dimensão ética da persuasão na linguagem tanto a nível individual (entre médicos e doentes) como colectivo (entre instituições e cidadãos, entre média e cidadãos).

 

Este número acolhe contributos de âmbito teórico ou empírico (incluindo estudos de caso), de todas as áreas do conhecimento (como Estudos Clássicos, Estudos Literários, Linguística, Filosofia, Psicologia, etc.), que reflictam sobre a importância persuasiva e ética da comunicação no contexto da saúde. Nomeadamente, acolhem-se propostas enquadradas nas seguintes temáticas:

 

  • Linguagem como pharmakon
  • Comunicação entre médicos e doentes
  • Persuasão, argumentação e manipulação em saúde
  • Ética do discurso medico e ética da saúde
  • Eficácia e relevância ética da medicina narrativa
  • Decisão partilhada entre médicos e doentes
  • Campanhas sociais e publicidade de saúde
  • Tecnologia persuasiva e saúde
  • Rede sociais e procura de informação de saúde na web
  • Medicina baseada nos valores (value based medicine)
  • Medicina focada  nos doentes (patient based medicine)
  • Opinião publica e saúde
  • Persuasão visual e importância das imagens na  saúde
  • Estratégias linguísticas  eficazes para profissionais de saúde
  • Comunicação das emoções e importância das relações pessoais em saúde
  • Efeito placebo das palavras

 

Serão aceites artigos científicos em Português, Espanhol e Inglês submetidos na plataforma OJS da revista até 31 de outubro de 2019.

 
Publicado: 2019-06-03
 
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