O signo como substituição: da semiótica de Peirce a uma teoria morfogenética do simbólico

António Machuco Rosa

Resumo


Neste artigo analisamos a definição de signo proposta pelas modernas teorias semióticas e semiológicas. Será dado particular destaque à teoria de Charles S. Peirce que, no seguimento de uma longa tradição, definia o signo como uma estrutura triádica em que ele está no lugar de uma coisa ausente, o objecto, e determina um interpretante. Sustenta-se que nessa teoria, tal como na originada em Saussure, a definição do signo como algo que substitui uma coisa ausente, o seu objecto, envolve uma circularidade. Sustenta-se de seguida que essa circularidade pode ser evitada recorrendo à teoria morfogenética de René Girard. Mostra-se como a teoria do morto fundador permite compreender a emergência do signo, e como essa teoria permite reconstruir, sem circularidades, a estrutura básico do signo em Peirce e em Saussure. Finalmente, mostra-se como a totalidade dos sistemas simbólicos podem ser derivados da substituição originária presente no morto fundador, destacando-se o processo de substituição presente mais universal forma de cultura humana, o ritual do sacrifício.


Palavras-chave


Peirce, Saussure, Girard, signo, cultura, sacrifício

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