O xadrez enquanto narrativa ficcional

Diniz Cayolla Ribeiro

Resumo


O xadrez é seguramente um dos jogos de tabuleiro mais valorizados e estudados no mundo contemporâneo. São inúmeros os estudos, as monografias e os artigos especializados que esmiúçam as diferentes fases das partidas de xadrez — abertura, meio-jogo, final —, procurando compreender as grandes ideias estratégicas e/ou as possibilidades táticas que atravessam as distintas partes do jogo. Existem, porém, outras facetas menos conhecidas ou mesmo inexploradas. O lado ficcional é uma delas. À semelhança de uma história apelativa, o xadrez também tem uma estrutura narrativa, recheada de plot points e de “volte-faces” imprevisíveis. À semelhança de uma história bem caracterizada, o xadrez também tem várias personagens que se movimentam nos tabuleiros, se enfrentam, e por vezes se matam. À semelhança de uma história atual, o xadrez também espelha os temas humanos, as suas ideologias, ou mesmo o “zeitgeist” de uma época. A presente comunicação visa revelar essa outra faceta ficcional do xadrez menos conhecida, contribuindo deste modo para enriquecer o nosso olhar sobre esse jogo milenar, bem como para demonstrar que as partidas de xadrez poderão servir de suporte para intrigantes e fascinantes histórias, umas vezes cómicas, outras vezes trágicas.

 

Palavras-chave


narrativa, guião, xadrez, cognição, heurística

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